Contos Escritos Meus

On 15 Janeiro 2020

pastor alemao capa preta

Nosso cachorro Urso!

 

Meu pai, Juarez Barbosa de Lima, às vezes sumia pelo mundo sem deixar rastros!

Às vezes demorava pouco, outras vezes demorava muito em suas viagens.

Demorando pouco ou muito ele parecia não se preocupar com a sobrevivência de seus filhos, pois não deixava nem nos enviava dinheiro para nossas manutenções!

É que em um país capitalista não se vive sem dinheiro, mesmo que no meio da floresta amazônica.

Em uma dessas suas viagens, talvez a mais demorada dele, cerca de uns dois anos sem dar notícias, ele voltou para o Bom Futuro trazendo consigo uns peruanos que vieram para pescar.

Trouxe com ele um belo cachorro pastor alemão que recebeu o nome de Urso. Similar a esse capa preta da foto.

Urso era um cachorro criado em Iquitos, no Peru, e era acostumado a comer carnes!

No Bom Futuro não tinha carne todos os dias, só quando alguém ia caçar e conseguia abater e trazer algum animal da floresta (paca, tatu, cotia, anta, veado etc.) o Urso ficava sem comer peixes. Mesmo assim os pedaços de carne para o Urso eram contados, mínimos, já que muitos desses animais são pequenos (como é o caso da cotia) e, se muito fosse destinado ao cachorro muitos humanos ficariam sem o que comer.

Dava pena o sofrimento de Urso para comer peixes, o que fazia apenas quando devia estar no limite da fome!

Mamãe, tentando melhorar a vida do cachorro, fritava peixes com banha de boi para ver se ele comia, e foi assim que ele começou a comer peixes sem tanto sacrifício.

O Urso foi conosco para o Maraã.

Era o mais belo cachorro da cidade, pois era o único que não era vira-latas!

Papai quando saia de casa o Urso ia junto. Quando papai voltava o cachorro também estava ao seu lado.

Quando o cachorro voltava só, sabíamos que o papai estava bebendo. E quando papai bebia Urso deitava-se debaixo da mesa ou nas proximidades.

Às vezes Urso se levantava e ia até em casa. Rodava pela casa sem sossego, como a nos avisar ou a nos chamar para irmos buscar o pai – aliás, isso nunca foi preciso, mas Urso não sabia. Como não atendíamos ao chamado canino ele voltada para perto do papai e fazia a mesma caminhada várias vezes.

Era nosso vigia e protetor de total confiança.

Um dia papai, enquanto dormíamos, deu o Urso para um comerciante que passava pelo porto de Maraã.

Nunca mais vimos o Urso.

Um dia a mamãe, de passagem para Manaus, ao passar por um flutuante no porto de Tefé viu o Urso e chamou pelo seu nome. Ele ouviu e caiu na água e saiu nadando em direção ao chamado de sua antiga dona e protetora. Mamãe se desesperou, mas viu que alguém veio em uma canoa buscar o animal.

Nunca mais tivemos notícias do Urso!

Hoje, 15.01.20, aqui em São Paulo, quando se passam cerca de quarenta e oito anos sem o Urso, a Júlia, minha irmã, fritou um peixe e o nosso cachorro veio à minha mente de maneira tão saudosa, pesarosa e triste que fui às lágrimas.

Como papai pôde ter sido tão cruel conosco e com o Urso? Ou será que ele imaginou que fazia o melhor pelo cachorro dando-o a quem a ele podia dar melhor tratamento e conforto?

Não sei! Jamais saberei!

Mas disse à Julia que nunca senti tanta saudade emocionada do papai quanto senti no dia de hoje pelo Urso!

Júlia, ao comentarmos esta história de nossas vidas, também foi às lágrimas!

O almoço foi bom, mas a sobremesa salpicada dessa lembrança tirou um pouco da alegria sempre presente nas refeições.

Espero que, caso exista um céu para os homens, exista também um para os cachorros e que neste Urso esteja bem e comendo muita carne boa, pois na terra, até onde sei, e por um tempo, ele comeu a carne que o diabo amassou!

Inté,

Osório Barbosa

On 09 Janeiro 2020

 

Legitimidade.

 

Quem quer que detenha o poder tende a justificá-lo.

Legitimar é, pois, justificar.

SP, 04.09.2001.

On 08 Janeiro 2020

 Sua opinião e a cerveja

Você não quer a opinião alheia?

 

Ao ver a foto acima, com a frase nela contida, me disse: isso dá para escrever um texto legal.

Então fixei os seguintes pontos:

- as pessoas somente não gostam das opiniões que "lhes sejam desfavoráveis", foi um elogio elas se derretem!

- nem sempre o criticar é ruim para o criticado, pois as críticas costumam mostrar nossos erros e isso é uma bela oportunidade para nos corrigirmos.

- a crítica serve também para mostrar, muitas vezes, o despreparo do crítico! Muitos críticos são apenas imbecis!

- o dito homem público não pode dizer que "não pediu a opinião alheia", pois isso implicaria ele querer se colocar imune às críticas. O que é impossível por sua própria condição.

- pessoas "comuns" (em oposição ao homem público) que não querem receber críticas devem parar de usar as redes sociais, por exemplo, pois se fizerem tal uso estão se expondo, naturalmente, às críticas.

- se não quer ser criticad@, guarde para si, bem no fundo do baú, e trancado com oito chaves, suas fotos e opiniões (histórias, causos, mortes, aniversários, festas etc.).

- não quer ser criticado, não se exponha! Não entre nas redes sociais, por exemplo.

- não use roupas diferenciadas. Use roupas diferenciadas.

- não use acessórios. Use acessórios.

- não ria. Ria.

- peide. Não peide.

- não grite. Grite.

- dê esmolas. Não dê esmolas.

Fazer quaisquer dessas coisas, especialmente em redes sociais, é pedir criticas, e é o que está pedindo quem se expõe ao público.

Quem não se expõe, embora menos, irá receber suas críticas também.

Portanto, não peça críticas, que é o que está pedindo quem diz não está pedindo mas se expõe.

Resumindo: você não tem saída. Será, faça o que quiser, criticado.

Uma coisa que você pode fazer é estar preparad@ para responder por seus atos, aqueles que geraram a crítica.

Da crítica nem a morte te libertará!

Você está lascado, pois, respirou, ou até mesmo antes disso, basta que seja fruto de uma gravidez não desejada, por exemplo, já estará sujeito às críticas!

Então, não repita a frase sem sentido contida na foto.

Inté,

Osório Barbosa

On 08 Janeiro 2020

Chico Buarque sabe cantar

 

Chico Buarque canta bem?

 

Ô reino onde a inveja humana está sempre na moda é o "reino do meio" dito artístico.

O artista é um ser humano com o dna da inveja turbinado.

As críticas à Lei Rouanet demonstram isso. Aquele que não é escolhido reclama da citada lei.

Ocorre que quem decide "financiar" um projeto pela referida lei é o empresário que vai pagar (ou iria pagar) o Imposto de Renda.

Se o empresário fosse burro não era empresário a pagar imposto de renda.

Pois bem, entre a Gal Costa e a Xinfronésia de Cabrobó o empresário vai escolher quem para divulgar o nome de sua empresa?

Fique com a resposta e não a equeça!

Voltemos à inveja artística.

Meu tio Osório, faz mais de quarenta anos, dizia que Chico Buarque é um excelente cantor, que canta muito bem!

Para o que ele, Chico, se propõe, interpretar suas músicas geniais e as de alguns poucos outros, segundo meu tio, ele o faz muito bem!

Sabe cantar, e canta muito bem!

Uma outra coisa é você comparar a voz do Chico com a de alguns outros gênios como, por exemplo, para mim, Nelson Gonçalves!

Nelson também sabe cantar e canta bonito!

Nelson tem uma voz, em termos de melodia e beleza, superior à de Chico, ninguém pode negar, mas Chico canta tão bem quando Nelson.

Nem vou falar de poesia musicada que aí Chico não tem concorrente e não é este o tema.

Fiquemos por aqui: o invejoso "se confundiu-se"!

Inté,

Osório Barbosa

On 04 Janeiro 2020

Bosch O jardim das delícias

Bosch O jardim das delícias 2

Nada mesmo é novo no mundo!

Olhando o quadro "O Jardim das Delícias Terrenas" do holandês Hieronymus Bosch (deve ser o pai das ferramentas também!), criado entre 1503–1515 (quando o Brasil estava no "bieço" dos portugueses), percebi o detalhe que destaco da pintura.

E por que o destaque?

É que há pouco anos alguns fdp's ficaram estarrecidos com uma peça aqui em São Paulo onde os atores, nus, enfiavam o ou os dedo/s no ânus do colega da frente na roda em que formavam!

Ou seja, os estúpidos nunca admiraram Bosch (talvez a furadeira!) ou são apenas hipócritas cretinos.

Não sei e nem quero saber se um ramalhete de flores ou um dedo é ou não uma delícia em ânus, apenas não me espanto, admiro ou condeno quem se propõe a isso.

Maraã/São Paulo, 04.01.20.

Inté,

Osório Barbosa

On 31 Dezembro 2019

eu mensagem de 2020

 

Porque me tornei um humanista!

 

Muitas vezes, na paz ou no desespero, me pergunto, como alguém, saído, literalmente, do meio da selva amazônica, filho de pai analfabeto e mãe semiletrada pode embarcar nessa nave frágil e bela, construída de cristal e papel crepom, a navegar por mares com suas águas revoltas e seus rochedos invisíveis, que é a defesa do ser humano?

Certamente que essa defesa intransigente me veio quando percebi a beleza, a fragilidade e a unicidade da vida.

Talvez o maior golpe de beleza me tenha vindo quando, ao meus 22 anos de idade, ainda muito pobre, vi uma mãe negra, desdentada, maltrapilha e que pedia esmolas juntamente com seus três filhos na Rua Nossa Senhora de Copacabana levantar-se da calçada acompanhada de sua prole e sair cantando ao seguir a banda que passava.

Era carnaval!

Já a unicidade me veio com a morte precoce de meu pai, ele tinha 51 anos e eu apenas 16!

Não apareceu outro Juarez em minha vida, mesmo eu esperando, até hoje aos 57 anos de idade, por sua volta!

Ainda espero encontrá-lo ao dobrar uma esquina, ou vê-lo caminhando pela rua enquanto me desespero para descer do ônibus em movimento para ir ao seu encontro, tudo para irritação do motorista e de alguns passageiros que não entenderão o que estará acontecendo na explicação breve e sem sentido!

Já a fragilidade da vida, que sempre esteve em meu raio de visão, a ele se chocou como um pássaro que estilhaça o vidro de um carro em movimento, no dia em que li sobre a brutal morte de um jovem que foi vítima de um ataque com um taco de beisebol no interior de uma livraria situada na avenida Paulista!

As perguntas que imediatamente me fiz foram:

- como pode isso ter acontecido?

- como alguém pode ser atacado com um taco de beisebol?

- como alguém pode ser atacado com um taco de beisebol no interior de uma livraria?

- como alguém pode ser atacado com um taco de beisebol no interior de uma livraria em uma das avenidas mais seguras da grande metrópole?

Não! Não! E não!

A vida, talvez por não ter nenhum sentido prévio tenha em si todos os sentidos!

Até hoje, desde que os registros começaram, nos debatemos sobre o sentido da vida, porém, melhor seria, se dialogássemos sobre os sentidos da vida! Embora isso nos metesse em um maior cipoal que aquele em que já nos encontramos, uma vez que ainda não fomos capazes de descobrir o sentido, imaginem os sentidos!

E certamente eles são plurais, eu não tenho dúvidas quanto a isso!

Temos, por exemplo, o sentido do viver como filho, viver como pai, viver como amigo, viver como estudante e tantos outros na mesma proporção em que são as máscaras que colocamos todos os dias para sermos os seres plurais que somos na interpretação de nossos personagens que nos permitem sobreviver e, assim, melhor, conviver!

A vida é uma nau sem rumo!

Ela pode nos levar aos paraísos, e eles são muitos, como também aos abismos, e estes não são menores!

Mas quem pilota as nossas vidas?

Qualquer piloto que tenha sido apontado é uma farsa!

Qualquer piloto que venha a ser apontado será uma mentira!

Mas os copilotos somos nós, os viventes, e isso é uma “certeza”!

Entretanto, o copiloto pode fazer muito, mas não pode fazer tudo para que a melhor trilha seja seguida!

A velocidade ou a falta dela, os buracos, os montes, o excesso ou a escassez dos ventos, tudo pode ser causa para um “eu devia ter feito diferente”, isso quando se tem tempo para refletir em como você poderia ter feito melhor, embora, nas circunstâncias iniciais de escolha sendo isso mesmo que você tenha feito!

O jovem morto no interior da livraria poderia ter ficado em casa para ir a um baile funk a noite em um bairro periférico de São Paulo. Se no baile fosse morto, como o Estado mata muitos, alguém diria: “ele estaria vivo se tivesse ido a uma livraria!”

Assim, nos encontramos em um beco sem saída, em uma “sinuca de bico”, como dizia meu pai quando ele, juntamente com amigos e eu jogávamos bilhar em pequenas mesas de oito bolas lá em Maraã nos anos 70!

Mas, embora eu ainda não saiba como me livrar das “sinucas de bico” da vida, tenho uma simples proposta:

Ame a vida, a sua e a dos demais.

Respeite a vida, a sua e a dos demais.

Queira viver, mas deixe os outros também viverem.

Ajude-se a viver.

Ajude os demais a viverem.

Faça o que entender melhor, nas circunstâncias, por si e pelos demais, mas, se não puder ajudar, se omita para não prejudicar outros seres humanos que são únicos, frágeis e irrepetíveis, tal qual você!

Inté,

São Paulo, 31.12.19.

Osório Barbosa.

On 26 Agosto 2019

Macaco azul juntas

Como criamos o mundo!

(O macaco azul)

 

Por volta de 2010, quando meu filho Osório di Maraã tinha cerca de quatro anos, mostrei-lhe a pintura retratada na foto que enfeita este escrito.

 

Eu já a conhecida de antes do nascimento dele.

 

Ela existia na parede de uma borracharia que fica na Praça 14 Bis, aqui em São Paulo.

 

Vejam que, na outra foto, atrás da borracharia tem um prédio e umas vigas expostas que formam "uma escada" gigante.

 

Então, contei-lhe a seguinte história:

 

" - Filho, você está vendo aquele macaco azul?

 

- Sim!

 

- Dia desses eu ia passando por aqui quando ele saiu correndo da parede e começou a subir aquela escada. Vês a escada?

 

- Sim!

 

- Pois é! Ele subiu muito rapidamente, mas de degrau em degrau!

 

Ele ficou espantado.

 

- Chegou lá em cima, colocou a mão espalmada sobre os olhos para empatar que o sol não deixasse ele ver direito. Olhou para um lado, para o outro, para trás, para frente. E, depois, gritou, várias vezes: "Osório", onde você está? Você ouviu ele te chamando?

 

- Não!

 

- Pois é, como ele não te viu, ele desceu lentamente pela escada e voltou para a parede de onde ele tinha saído! Você sabe o que ele queria com você?

 

- Não!

 

- Será que ele não estava com fome e queria banana?

 

- Não sei!

 

- Um dia a gente pára o carro aí e vai perguntar dele, certo?

 

- Certo.

 

O tempo passou e sempre que passávamos por lá ele lembrava da história ao apontar para o macaco azul.

 

O tempo levou-lhe a inocência. Ele já não prestava mais muita ou nenhuma atenção no macaco.

 

Um dia lembrei-lhe da história e ele disse:

 

- O senhor me enganava!

 

- Nunca, meu amor! Respondi-lhe. O papai jamais faria isso. O que fiz foi te contar uma história como aquelas que eu ou sua mãe líamos nos livros de histórias infantis para você!

 

Ele ficou desconfiado, mas concordou com um meneio da cabeça.

 

- Você, quando era criança, acreditava nessa história do macaco azul, não acreditava?

 

- Claro.

 

- Pois é! É assim que os homens inventam suas histórias, criam seus monstros, como a quimera, o dragão, o unicórnio, o centauro, o "Harry Potter, que você gosta, seus deuses e tudo aquilo que acreditamos que seja verdade, mas que não passam de criações artísticas de homens inteligentes, seja para distrair os outros homens, seja para enganá-los maldosamente.

 

- Entendi!

 

Recentemente, o Osório já com 12 anos, passando pelo local, ele viu que o macaco azul já não estava mais lá. Então, perguntou:

 

- Pai, cadê o macaco azul?

 

Respondi-lhe:

 

- Ou ele conseguiu fugir de sua prisão na parede para sua floresta ou uma mão de tinta de um caçador infeliz, que que não tem sensibilidade para conhecer a beleza o matou!

 

Nos calamos, mas o clima foi de tristeza banhada pelas recordações.

 

Inté,

 

On 22 Agosto 2019

Artistas e boquinha

Artistas e perda de “boquinha”!

(Discussão e fundamento: necessidade)

 

Dia desses compartilhei um post cujo título da matéria dizia: “Artistas e intelectuais lançam manifesto contra 'desmontes de Temer'” (a fonte está indicada abaixo).

Um amigo meu fez um comentário no meu compartilhamento dizendo, simplesmente, algo do tipo: “Reclamam por que [sic] perderam a boquinha”!

Na foto que ilustra o artigo aparecem as fisionomias de: Chico Buarque de Holanda, Maria Rita Kehl, Wagner Moura e Laerte.

Chico não precisaria de explicação sobre quem ele é, não fosse a maldade da qual vem sendo vítima, mas vamos lá: cantor e compositor das mais belas canções brasileiras de todos os tempos; poeta; teatrólogo; escritor premiado; cachê elevado e shows lotados.

Maria Rita Kehl, psicanalista, jornalista, ensaísta, poeta (poetisa, soa tão ‘musical’ e delicado), cronista e crítica literária. Escritora premiada.

Wagner Moura, ator requisitadíssimo e no auge da carreira e da fama, com papéis desempenhados no Brasil e no exterior.

Laerte (Coutinho), um(a) do(a)s cartunistas mais respeitado(a)s em sua área.

Ou seja, artistas com amplas possibilidades de viverem de seus dignos “salários”!

Então, por que falar que os acima nominados defendem suas posições políticas por conta de “boquinhas” (mesada dada a míseros parasitas que defendem pontos de vista políticos por necessidade) que necessitem para sobreviver?

No mínimo uma tremenda injustiça e, mais, uma baita inveja!

Injustiça pelo acima dito (não precisam de “boquinhas” para sobreviverem, e muito bem, obrigado).

Inveja por conta de: são bem melhores que seus detratores, especialmente aqueles que cunharam tal termo, nascido nos últimos meses de ódio que campeia no Brasil, onde pessoas sem o menor talento tentam enxovalhar artistas de primeira grandeza, como são os nominados.

Pedi ao meu amigo: não repita esse mantra idiota!

Depois acrescentei:

A vida sem arte seria uma merda! Arte é cultura, mas poucos sabem o que é isso, daí falarem tamanha besteira!

O museu do Vaticano, do Louvre e tantos outros são formados por obras de "artistas" sustentados por quem sabia o quanto a arte é importante para a vida do ser humano!

Os botos (que participam do folclore da cidade) lá em Maraã, aos quais você (no caso o meu amigo) é tão ligado e gosta tanto, vivem sem o incentivo necessário a que alguns de má-fé chamariam de "boquinha"?

Ao que sei, sem a ajuda do Município, os botos (tucuxi e vermelho) sequer brincam e disputam! Aliás, recentemente, os bois não brincaram porque a “prefeitura” não fez a sua parte!

Chico Buarque, por exemplo, é um patrimônio do Brasil e um homem que deve orgulhar a todos nós brasileiros e seres humanos, daí ser um homem universal!

As posições políticas do Chico são ou podem ou devem ser diferentes de sua arte!

O que a música “O meu amor”, por exemplo, tem a ver com o pensamento político do Chico?

Vejam esta estrofe:

O meu amor tem um jeito manso que é só seu

E que me deixa louca quando me beija a boca

A minha pele toda fica arrepiada

E me beija com calma e fundo

Até minh'alma se sentir beijada”.

Tem algo mais belo? Onde há política partidária na música?

Quem fez melhor? Até agora ninguém!

Vejam quem são os detratores de Chico, por exemplo!

Nem vou citar nomes para não “desabonitar” os daqueles acima citados.

Se eu tivesse condições financeiras, viveria cercado por artistas, como viveram muitos homens de bom gosto! Mas...

Espero que nós, de Maraã, aprendamos a valorizar o belo, pois ele é o remédio para a alma!

Uma bela música, um belo filme faz as pessoas viajarem por horas, esquecendo a vida e seus problemas!

Por isso, te peço: pense nisso!

Ele insistiu, fixando-se apenas no fato de eu ter chamado o “mantra” de idiota (a citação, não ele, por certo) embora sem ponderar minhas considerações acima e eu lhe afirmei e perguntei:

O mantra não é seu! Ou é?”.

Continuei:

Você acha mesmo que é perda de boquinha que leva tais artistas a protestarem?

Repeti: você se fixou apenas no primeiro parágrafo da minha mensagem (quando disse que o mantra é idiota)!

Como sei que meu amigo também é artista, perguntei-lhe:

Sendo artista também, você vive de boquinha?

A coisa fica complicada de discutir – sempre em busca de aprendermos, já que nada sabemos –, sem que exista fundamentação!

Qual sua fundamentação para falar que os artistas estão preocupados apenas com suas boquinhas?

Não houve resposta!

Disse-lhe mais:

O último parágrafo do meu escrito foi um pedido, não uma ordem (até por gostar disso e não ter nenhuma autoridade sobre o amigo) para pararmos a nossa conversa!

O amigo citou dois nomes de outros artistas e eu lhe respondi:

No meio do trigo tem o joio!

Queixou-se de que projetos dele não tinham sido aproveitados, ao que retruquei:

Quem sou eu e você? Muito pouco interessantes para que alguém ouça nossos projetos, mesmo eles sendo, talvez, os melhores! Eu mesmo “banco” um deles (concurso de poesia) com recursos próprios!

Os quatro artistas na foto que abriram este post são tão excepcionais que, certamente, vivem sem ajuda de governos!

Mas todos os governos ajudam alguém, geralmente aqueles que o apoiam!

Lembre-se que são os artistas os aglutinadores de público para que os políticos façam seus comícios!

Se você tivesse fundamentado sua postagem inicial citando o tal Luan Santana, como faz agora, não estaríamos conversando tanto sobre isso! Mas, espero que a conversa tenha sido, de algum modo, proveitosa para você, pois o foi para mim.

Por fim, não sou dono da verdade, caso me sentisse tal, sequer conversava com amigos como você, pois quem faz isso corre um sério risco de mostrar a todos aquilo que é só deles (e meu também), que não sabemos de nada!

Mas, o fundamental, é preciso fundamentar nossos argumentos, até para que nossos interlocutores saibam do que estamos falando.

Aliás, penso que é por falta de fundamento, que a internet, ou alguns, o que não é o meu caso, passaram a detestar “textões”.

Na verdade não existem “textões”, existe falta de argumento, pois é impossível explicar a obra de Cervantes em três palavras.

Inté,

Osório Barbosa

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2017/04/14/artistas-e-intelectuais-lancam-manifesto-contra-desmontes-de-temer/index.html

On 21 Agosto 2019

Homem e mulher das cavernas

 

Recado machista!

 

O não é como um arame, pode virar um anzol.

 

Sempre, especialmente na época do carnaval, rola aquele meme: "Não, é não"!

 

Também se lê: "Mano respeite as minas"!

 

Etc. e tal.

 

Diz o sábio popular que "o não você já tem"!

 

Costumo dizer que o não de algumas minas é como um arame, pode virar um anzol.

 

Anzol tanto captura para o bem como para o mal, afinal o peixe morre pela boca.

 

Mas, a dica de um cara ex-feio, pobre e chato, para as minas é a seguinte:

 

- Mina não responda, se não estiver a fim, nem sim, nem NÃO!

 

A postura para afastar o inoportuno é a INDIFERENÇA!

 

É que existem uns "não" que são verdadeiros "sim"!

 

A mina diz não, mas suspira fundo!

 

A mina diz não, mas revira os olhos!

 

A mina diz não, mas sorri!

 

A mina diz não e sai olhando para traz sobre os ombros!

 

O inoportuno faz leitura corporal também e entende, então, que aquele "não" está cheio de "não convicção", que é dúbio!

 

Sendo assim, ele investe!

 

E nessa investida, aqueles nãose tornam sim, pois deixaram a porta aberta para um convencimento que acaba por ocorrer.

 

Dobrar um não é possível, tenho visto, já uma indiferença, jamais!

 

Contra a indiferença não tem argumentos!

 

A indiferença deixa o inoportuno sem saber o que fazer, sem saber o que dizer, "perdido de pai e mãe"!

 

Pior, deixa o inoportuno sem saber onde enfiar a cara!

 

É a pior vergonha que um inoportuno pode passar!

 

Com a indiferença, o inoportuno vira um "homem lixo"!

 

Portanto, fica a dica!

 

Inté,

 

Osório Barbosa

 

 

P.S.: o texto arriba se refere ao inoportuno que usa apenas palavras, violência é sempre crime.

 

Fonte da imagem: https://br.depositphotos.com.

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