Curiosidades

tercio

A morte de Osório!

 

 

Recebi de um amigo a seguinte missiva eletrônica:

 

Osório, outro dia te falei rapidamente da morte de Osório, goleiro do Capelense, que se tornou um verdadeiro herói.

Não lembro dos fatos, pois na época tinha um pouco mais que dois anos de idade e morava na Fazenda Boa Vista, município de Capela, situada a cerca de 15 Km dos fatos. Tomei conhecimento posteriormente, quando fui residir em Capela e passei a me interessar por futebol.

Esta semana recebi de meu irmão o texto abaixo e a fotografia em anexo, que repasso para que você conheça da história de um herói que fascinava a todas as crianças de Capela (especialmente a mim), que religiosamente acendiam velas e faziam orações em seu túmulo no Dia de Finados.

Um grande abraço, Domingos Sávio Tenório de Amorim”.

 

Histórias do futebol Capelense

 

A foto é de 1958, e mostra milhares de pessoas acompanhando o enterro do goleiro Osório, grande destaque da equipe do Capelense na década de 50. Ele faleceu em decorrência de uma disputa de bola em um jogo amistoso no Estádio Manoel Moreira.

Saiba como foi:

"Em 28 de setembro de 1958 aconteceu um dos mais lamentáveis fatos já ocorridos no futebol alagoano. Era um domingo, o estádio Manoel Moreira na cidade de Capela estava lotado para assistir ao amistoso entre o Capelense e um combinado de clubes de Maceió, formado por jogadores do Ferroviário, CRB e Auto Esporte. Aos 32 minutos do 1º tempo o jogador Botinha dos visitantes lançou para o atacante Barra, a bola ficou entre ele e o goleiro Osório, no momento que Barra desferiu o chute Osório jogou-se contra os pés do mesmo, ambos caíram, Barra logo se levantou, Osório porém permaneceu caído no gramado.

O goleiro foi atendido pelo médico João Toledo.

Osório foi levado para sua casa que ficava ao lado do estádio para melhor ser examinado, o jogo prosseguiu normalmente, entretanto por volta dos 20 minutos do 2º tempo chegava a noticia de sua morte. O jogo foi suspenso, jogadores, policiais e torcida correram todos para a residência do goleiro, ninguém queria acreditar que tal fato fosse verdade, Osório era um ídolo na cidade, mas o fato estava consumado, o futebol alagoano perdia de forma trágica seu melhor goleiro.

De repente em Capela, tudo se transformou, a tarde ficou triste e a noite, mesmo com um luar encantador era estranha para a população que chorava a morte de seu ídolo, responsável direto pela fama do Capelense naquela época, poucos clubes aceitavam um convite para um amistoso na cidade de Capela, por isso preferiam formar combinados para encarar o alvirrubro dos canaviais.

Osório havia nascido em 31/08/1935, tinha 23 anos.

O velório aconteceu no dia seguinte, 29 de setembro de 1958 a torcida do Capelense chorava ao ver sendo enterrado o herói que tantas vezes com seus voos acrobáticos evitou que a meta do galo dos canaviais fosse vazada.

O fatídico jogo do dia 28 de setembro de 1958, teve a seguinte ficha técnica:

Capelense 4×0 Combinado Ferroviário-Auto Esporte–C.R.B.

Árbitro – Valdomiro Breda.

Gols: Mário, Bernadino, Geofonso e Jório.

Capelense – Osório (Zacarias), Mauro e Orizon. Dorival, Jório e Piolho. Valdir (Messias), Bernadino, Geofonso, Moacir e Mário.

Combinado de Maceió – Caliça (Nazário) Humaitá e Aldo. Noé, Zanélio (Dirson) e Marreco. Pelado (Botinha), Barra, Milton, Marcelo e Batista (Levino).

A base do time foi mantida e no ano seguinte o Capelense conquistou o título de campeão alagoano de 1959, um título dedicado ao grande Osório, o maior goleiro que já defendeu o galo dos canaviais e que deu a vida para evitar que seu time sofresse um gol”.

 

Espero ter mais sorte que o meu homônimo! Aliás, já tive, pois estou com 53!

Coincidência: ele morreu no mês em que nasci, juntamente com a primavera e o verso de Drummond!

Grato, amigo Domingos Sávio Tenório de Amorim pela bela, embora triste, história! São por narrativas como esta que a memória de Osório, certamente, ainda durará muito, eu, particularmente, espero que para sempre.

 

Até mais,

 

Eis a foto citada no início:

 

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