Artigos

tercio

In Artigos

O idiota e o anonimato na internet.

O idiota e o anonimato na internet.

 

Cavalo

                                                                                                              Cavalo de Troia - Revista Recreio.

Parece-me – por já ter vivido muito, 53 anos, mas bem menos do que eu gostaria, embora sem pretensão de ser um Matusalém (782 anos!) –, que o anonimato, para o bem ou para o mal, sempre acompanhou a humanidade!

Nessa época de internet o anonimato mais se acirrou, especialmente para o mal, mas, também, um pouco para o bem!

Quero falar, agora, sobre autores (escritores e poetas ou poetas e escritores) que optam pelo anonimato.

Alguns fazem por desprendimento, pois publicam seus textos sem visar a fama (especialmente advindas dos ganhos financeiros), são filantropos, pode-se dizer. São conscientes em assumir a condição de anônimos.

Outros, penso, parece que se mantém anônimos por medo!

Mas que medo?

Medo do fracasso!

Medo de não confiarem e si e em suas produções.

Tanto é assim que escrevem belíssimos textos e dão a paternidade a autores famosos, já consagrados!

Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e Luís Fernando Veríssimo são campeões em receber belos presentes, a despeito de, no meio destes, vir, de quando em vez, um cavalo de Troia!

Vejam este belo escrito que é atribuído a Fernando Pessoa, mas, segundo os conhecedores da obra do poeta português, não é de sua autoria!

Pedras no Caminho.

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

Mas não esqueço de que minha vida

É a maior empresa do mundo…

E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver

Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e

Se tornar um autor da própria história…

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar

Um oásis no recôndito da sua alma…

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um “Não”!!!

É ter segurança para receber uma crítica,

Mesmo que injusta…

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”.

Não é uma joia rara?

Certa feita, num blog que era cultivado por um amigo que o abandonou, escrevi algo sobre o assunto (pode ser lido em: http://blogdoosoriobarbosa.blogspot.com.br/2011/03/procura-se-o-autor.html).

Hoje, 04.08.16, o tema me veio à mente com a coluna do Veríssimo cujo título é “Idiotas”!

Diz ele:

“‘Idiota’ já foi um elogio. No seu sentido original grego, significava uma pessoa privada (não, não uma pessoa vaso sanitário, você sabe o que eu quero dizer). Alguém que tinha seus próprios valores e seus próprios caprichos (daí ‘idiossincrasia’) independentemente dos valores públicos e das convenções sociais. Com o tempo, passou-se a enfatizar o contraste entre o privado, o fechado em si, e o público, e ‘idiota’ passou a ser o que não participava da vida comunitária, por alguma deficiência ou por escolha. Como não participava da vida comunitária, era ignorante. Vem daí o sentido de infenso à política e o sentido moderno de simples, burro ou desligado.

Mas, durante muito tempo, na Grécia antiga, ‘idiota’ era o que, não se interessando por política, desdenhava da política. O oposto de cidadão.

A primeira vez que se xingou alguém de “idiota” foi para criticar sua omissão, pois, para os gregos, era na participação política que o homem exercia sua cidadania, assumia sua liberdade e se distinguia dos servos e dos bichos — e das mulheres, diga-se de passagem.

Corta para o Brasil de hoje — ou, pensando bem, para qualquer país do mundo atual. Idiota, lhe dirá qualquer eleitor desencantado, é quem se deixa levar pela política e pelos políticos.

Houve um momento, na história recente da Humanidade, em que ‘idiota’ perdeu seu sentido de infenso à politica e ganhou seu significado moderno de ludibriado pela política. Não dá para precisar quando isso aconteceu no Brasil. O desencanto com políticos talvez tenha começado, ou pelo menos se agravado, com a renúncia de Jânio Quadros.

As frustrações de hoje são apenas as mais recentes de uma sucessão de blefes que foram liquidando com nossas forças cívicas. Assim como a falta de calorias vai nos imbecilizando, a privação política vai nos idiotizando.

Muita gente gostaria de resgatar o significado original da palavra para poder dizer que é idiota no bom sentido, no sentido de quem só se interessa pela administração do próprio umbigo.

‘Blefe’, eis outra palavra de múltiplos sentidos. No pôquer, blefar significa dar a entender que se tem cartas na mão que realmente não se tem. Fora do pôquer, o ‘blefe’ perde a sua, digamos assim, respeitabilidade. Geralmente é aplicado a pessoas que não são o que pareciam ser. A história política do Brasil tem sido a de um blefe depois de outro.”. (Fonte: http://noblat.oglobo.globo.com/cronicas/noticia/2016/08/idiotas.html).

Na própria internet o tema não é novo!

Vejam o que diz Mario Sergio Cortella: https://www.youtube.com/watch?v=n9LM9SnXCLg.

Não que eu desconfie de Veríssimo e Cortella ou de Cortella e Veríssimo, mas, acostumado a ler os trabalhos acadêmicos, percebi que os nominados não citam as fontes de onde retiram suas afirmativas sobre a palavra “idiota” e sua utilização pelos gregos!

Também costumo ler os gregos (em português, claro), não tanto quanto desejava, mas nunca me deparei com o uso do “idiota”!

Pesquisando na internet deparei-me com o sítio espanhol (abaixo indicado) que aborda o tema da seguinte forma:

PolitikósHYPERLINK "http://brendayenerich.escritoresdepinamar.com/etimologia-politica/" o HYPERLINK "http://brendayenerich.escritoresdepinamar.com/etimologia-politica/"Idiotikós

Palabras con historia – Etimología de la palabra ‘política’

Hoy en día, el término “política/o” se encuentra bastante desvirtuado. Si leemos su significado en el diccionario nos inspira respeto, sin embargo, llevado a la vida real podríamos percibirlo más como un insulto.

En la Grecia Clásica estaban los politikós y los idiotikós. Los primeros eran los ciudadanos (hombres nativos, libres y dueños de tierras) con plenos derechos políticos que se interesaban por los asuntos del Estado y participaban en los juicios, ocupando magistraturas o desempeñando cargos. Los idiotikós, en cambio, (idio significa propio) eran los que se ocupaban sólo de sus intereses particulares o privados. Por lo tanto, si su interés genuino estaba en resolver los problemas públicos se lo reconocía como unpolitikós, de otro modo era solo un idiotikós.

Grecia estaba formada por ciudades autónomas y soberanas llamadas polis. No existía como único estado, sino como un grupo de pequeñas ciudades-estado. Allí surgió la democracia como doctrina política en la que el pueblo intervenía y participaba del gobierno. En tal punto, coincidieron en que todo asunto del Estado era asunto de los ciudadanos. Así, se distinguieron a los politikós de los idiotikós o idiotas.

Actualmente parece que la mayoría de los que se creen políticos son simplemente idiotas.”. (Fonte: http://brendayenerich.escritoresdepinamar.com/etimologia-politica/).

Como sou um eterno inconformado com algumas coisas, nada disso me satisfez quanto a atribuição aos gregos (e eles inventaram ou copiaram muitas coisas! Eles mesmos admitem!) de terem cunhado o termo de que ora nos ocupamos.

Se dizer que algo (escrito/frase/dito) é de autoria de alguém tornasse essa frase de autoria daquele a quem ela é atribuída o tal Einstein seria um “Einstein”!

É que, prestem atenção, as frases e ditos atribuídos ao tal físico nunca (eu só vi uma única vez!) citam as fontes de onde elas foram retiradas, mas, depois de ditas que é da lavra dele todos passam a citá-lo como autor e sem nenhum pudor!

Portanto, você que estas bem traçadas linhas lê, fique ligado e me diga, se possível, qual foi a fonte onde Cortella e Veríssimo beberam, por favor.

Até mais,

 

Você está aqui: Home Artigos O idiota e o anonimato na internet.