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tercio

Uma mensagem aos meus amores: AS MULHERES!

 

Uma mensagem aos meus amores: AS MULHERES!

 

Traiçao

 

 

(Tudo que eu disser abaixo serve, penso eu, para homem e mulher, daí não fazer ressalvas e são frutos de minhas observações em mais de meio século de vida)

 

Não tenho conhecimentos maiores do freudismo (psicologia/psicanálise), mas acho que ele – Freud – está certo quando diz que o principal instinto do homem é o sexual!

 

Tem gente que diz que a mitologia é lenda, é mentira! Seja lá o que ela for, nela podemos ver a nós mesmos, seres humanos, como quando nos olharmos no espelho!

 

"Mito é algo que nunca existiu, mas que existe sempre", diz Joseph Campbell.

 

Diz a mitologia grega que Zeus (o deus dos deuses) era casado com Hera, que também era (agora sem o h, rs.) sua irmã.

 

A maior característica da deusa/esposa era o ciúme! E, pelo que é narrado, nesse caso, não lhe faltava motivos. E por que não?

 

É que Zeus era “um pegador” (namorador) inveterado! “Ficava” com deusas e mortais!

 

Suas escapulidas eram sempre muito bem arquitetadas, justamente para fugir dos olhos da esposa, que sempre estava sobre ele.

 

Para ficar num exemplo, certa vez ele, para entrar em um quarto onde um pai prendia sua filha ele se transformou em chuva de ouro para poder passar pelos pequenos furos da grade!

 

Ora, diria um grego antigo, e podemos dizer que podem dizer todos os homens: se um deus, o maior deles, não resiste a uma mulher, como nós, seres mortais, fracos e carentes podemos resistir?

 

Daí eu concluí que todo o homem é tarado, a diferença entre uns e outros é que alguns têm medo da polícia (são os tarados que se controlam).

 

Não sei se por questão cultural, as mulheres, nesse assunto, são mais “controladas” que os homens (se reprimem mais que os homens?).

 

As exceções são tão raras que não contam (um, dentre bilhões não significa que o mundo, por existir um homem de bem, os 7 bilhões e 999 milhões sejam bons. A contrário!).

 

Ser fosse assim – se todos fôssemos bons – não precisávamos de polícia, pois cada um cumpriria seu papel/dever para com os demais! Sabemos que não é isso que ocorre!

 

Se as exceções contassem, repito, não existiria polícia!

 

Será que é somente na Amazônia, portanto, no Brasil, que se chama um homem de “Jacamim”?

 

O que é um homem que recebe o apelido de jacamim?

 

Esse apelido nasceu da ignorância popular?

 

Não! Definitivamente não!

 

Vamos esclarecer, portanto.

 

O homem tido por jacamim é aquele que se casa/une/amiga com uma mulher que já tem filho/s de outro/s pai/s.

 

É que a ave, jacamim, é um excelente cuidador de pintinhos, ou seja, de filhos alheios!

 

Eu já fui jacamim! Várias vezes e não me abalei com as chacotas.

 

O grande problema no relacionamento de casais que já têm filhos de outros relacionamentos se dá, percebo eu, pelo seguinte: no início, quando tudo são flores, se aceita tudo, inclusive os filhos que não são seus, pois como diz o sábio popular, “quem quer pegar a galinha não diz xô”!

 

Como amor nenhum dura muito, tem prazo de validade, as ações, comportamentos que eram tidas por virtudes, viram incômodos para o outro parceiro.

 

Julio Iglesias (na música “Con la misma piedra”) nos diz:

 

Tropecei novamente a mesma pedra

Em questão/matéria de amor, eu nunca ganharei

Porque sabemos que quem ao amor se entrega

De qualquer forma terá chorar.

...

... tropecei de novo e com o mesmo pé”!

 

Eu interpreto isso como dizendo: em questão de amor nunca deixaremos de errar, mesmo sabendo que iremos errar!

 

Se olharmos ao nosso redor, perceberemos que nada é eterno!

 

Tudo que é sólido se desmancha no ar”!

 

Minha mãe declamava:

 

Tudo muda, tudo passa,

neste mundo de ilusão:

vai para o céu a fumaça,

fica na terra o carvão.”

 

Só agora, mais de 40 anos depois, descubro que é uma estrofe de um poema (“Coração”) de Guilherme de Almeida!

 

Se tudo passa, parece que o amor tem mais pressa ainda para isso: passar!

 

Mas nós, os românticos, continuamos falando de “amor eterno”, ou seja, tropeçando sempre e com a mesma pedra!

 

Para que continuemos inabaláveis em nossa fé inventamos vários subterfúgios que podem ser resumidos no seguinte: “se passou, não era amor”!

 

Sempre que encontramos alguém interessante pensamos: agora sim! Encontrei a mulher da minha vida!

 

Na próxima esquina dizemos o mesmo ao aparecer uma outra mais interessante ainda!

 

As vezes pensamos que casamos com a pessoa certa – agora sim, encontrei a minha princesa encantada! Aliás, nem existem princesas/mulher, são sempre príncipes/homens os enantados, daí, talvez, o problema cultural. “Só as mulheres acreditam nas histórias dos que foram felizes para sempre”! – mas a pessoa certa, constatamos, muitas vezes, na hora em que estamos a nos casar: é aquela amiga da amiga da minha mulher e que eu não aconhecia até então, mas que me aparece na hora cerimônia!

 

Casamento só piora os defeitos! É como acreditam alguns em relação à carne de porco (tida por reimosa): põe para fora todas as feridas do corpo!

 

É que as concessões iniciais, quando queremos conquistar, chegam ao final! Agora que peguei a otária não preciso mais fingir!

 

Casamento só piora pois não vai fazer ninguém mudar porque se casou!

 

Mas muitos acreditam que haverá mudança com o casamento!

 

Ele deixará de beber, pensa a mulher!

 

Ela deixará de fumar, pensa o homem!

 

Mas os vícios apenas pensam em aumentar-se, procriar-se!

 

No casamento os defeitos só se agravam! Antes eles existiam mas eram escondidos pelo defeituoso ou vistos como virtudes por quem quer se enganar!

 

A proximidade do casal advinda do casamento acaba com a saudade que se sentia antes da pessoa distante (fisicamente)! E a saudade é muito boa para o relacionamento!

 

O casamento põe fim ao hábito que tínhamos, quando do namoro, de nos prepararmos para o outro! Banho, perfume, cremes, inclusive o dental etc.

 

O casamento acaba com as surpresas! Tudo vira rotina e vem a frase fatal: “você é tão previsível”!

 

No casamento, o que era parceria vira subordinação!

 

O que era compreensão vira cobrança!

 

O ensinar amoroso vira rudeza!

 

O desconhecimento de pequenas coisas que encantava o que sabia vira burrice do energúmeno!

 

Você já se perguntou quem na e da sua família é fiel? Na minha não conheço nenhum homem que tenha sido fiel!

 

(Avô, pai, tios, filhos, netos, todos prevaricaram!)

 

O homem que costuma ter medo do que é novo, perde esse medo com o casamento! Ou somente no casamento o homem não tem medo do novo! Aliás ele corre atrás do novo! Ou da nova (aqui não me refiro à idade).

 

A maternidade e suas consequências dramáticas é para a mulher! O homem precisa ir à luta, a caça! Não pode ficar trabalhando para o filho e a mulher operada, nem acordando de madrugada para ficar o dia inteiro com sono! A vizinha mora só e dorme suas noites tranquilamente e acorda somente quando bem quer! Ela é uma boa companhia!

 

Para o homem, sexo não pode esperar, no futuro não terei ereção (tesão), estarei velho e ninguém me quererá, tenho que aproveitar o aqui e agora.

 

O homem, quando da primeira vez com uma mulher, atravessa a cidade de joelhos sobre caroço de milho para encontrá-la, depois tudo fica longe, mesmo que a distância seja o colchão onde o casal dorme!

 

As mulheres têm o mau hábito de escolherem homens para namorar. Homens têm o bom hábito de não escolhem mulheres, para eles, foi mulher, tá bom, só querem gozar mesmo!

 

Mulher quer homem para casar! Ser o pai dos seus filhos. Homem que mulher para transar!

 

Homem trabalha, nessa questão, com menos ilusões que as mulheres, seu mundo é menos imaginário. Fica com a realidade crua!

 

O homem até promete, mas nunca cumpre!

 

Homem ama e trai, mulher é mais difícil fazer isso!

 

Mulher quer um companheiro, homem uma companhia!

 

Mulher procura homem pela aparência e pelo sucesso dele, homem pela vontade de relaxar!

 

Maquiavel (em suas cartas) narra uma cena que é muito real para os homens. “A mulher o fez vomitar! Feia, suja, fedorenta e outras ‘qualidades’ iguais, mas que ele não deixou de fazer sexo com ela”! (Veja a parte da carta, no que interessa, no final deste escrito).

 

Por tudo isso, penso, casamento eternamente feliz (“... e foram felizes para sempre”) só existe nos contos de “fraudes”!

 

É fraude mesmo e não fadas!

 

Li em um poeta:

 

o amor é faca sem corte

te faz promessa, te beija

te retalha, te esquarteja

te sangra perto da morte."

 

(Autor: Romério Rômulo).

 

Como, em um caso imaginário, de uma mulher com três filhos, por exemplo, que se une a um homem que não é o pai das crianças, irá, no futuro ajudar os filhos de sua parceira? Ele é rico? Os pais dele o são? E a sempre presente sogra megera, como ver tudo isso?

 

Tem sorte também a mulher que tem apenas filhos quando se envolve com um homem que não seja pai dos mesmos, pois, inúmeras vezes, o homem se une a uma mulher de olho na filha dela! Taí o Wood Aleennn que não me deixa mentir!

 

Embora se diga que o “amor é cego e nada vê”, essa história já foi anteriormente contada e vivida – e com o pai dos filhos – e não deu certo! Aliás, essa história é rapidamente esquecida, basta aparecer alguém mais interessante, embora a causa do interesse seja a mais “estapafúrdia” (esquisita) possível! Como do homem que se apaixonou pela mulher coxa somente por conta do rebolado que ela tinha quando caminhava!

 

Qual a saída?

 

Não sei nem se saída tem – é uma espécie de buraco negro, o que nele entra nunca mais saí –, mas a fundamental é: não se iluda com a possibilidade do “agora sim, encontrei quem vai me fazer feliz para sempre”!

 

Entre na arena altivo e elegante como um toureiro, mas saiba que pode sair derrotado!

 

Não sofra para manter o que não vale a pena, pois tudo, mais cedo ou mais tarde, terá um fim!

 

Viva o amor, mas sem ilusões!

 

No dia que ouvir a pessoa que você gosta dizer: “eu vou embora”, esteja preparada para responder-lhe: “já até arrumei suas malas”!

 

Inté,

 

São Paulo, 20.02.17 (término provisório. Rs).

 

Fonte da foto: http://cesinhamoreira.blogspot.com/2010/10/falsidade-ou-traicao.html.

 

Re

 

"Tendo terminado, e com vontade de dar uma olhada na mercadoria, peguei um pedaço de madeira da lareira do quarto e o acendi, mas quase deixei cair das minhas mãos antes que se apagasse. Urgh! Quase caí morto com aquele borrão da visão, aquela mulher tão feia. A primeira coisa que notei nela foi um tufo de cabelo metade branco, metade preto - em outras palavras, esbranquiçado. Embora o topo de sua cabeça fosse careca (graças à calvície, era possível perscrutar alguns piolhos passeando por ali), alguns poucos e finos fios de cabelo desciam até a fronte. No meio de sua cabeça pequena e enrugada, ela tinha uma cicatriz de queimadura que fazia parecer como se tivesse recebido uma marca no mercado; na ponta de cada sobrancelha, em direção aos olhos, havia um aglomerado de lêndeas; um olho olhava para cima, o outro para baixo - e um era maior; seus dutos de lágrimas estavam cheios de remela e ela não tinha cílios. Tinha um nariz arrebitado incrustado baixo demais no rosto e uma das narinas estava cortada e cheia de ranho. Sua boca parecia a de Lorenzo de Médici, mas era torta para um lado, e desse lado escorria uma baba porque, não tendo nenhum dente, ela não podia conter a saliva. Seu lábio superior servia de apoio para um longo e ralo bigode. Ela tinha um queixo longo e pontiagudo um pouco virado para cima; uma papada levemente peluda balançava até seu pomo de adão.

 

Enquanto fiquei ali absolutamente desconcertado e estupefato olhando aquele monstro, ela tomou consciência disso e tentou perguntar "Qual é o problema, senhor?", mas não conseguiu porque gaguejou. Assim que abriu a boca, ela expeliu um tal fedor em seu hálito que meus olhos e meu nariz - portais vizinhos para o mais delicado dos sentidos - se sentiram assaltados por ele e meu estômago ficou tão indignado que foi incapaz de tolerar esse ultraje; começou a se rebelar, e então se rebelou - de modo que vomitei em cima dela. Tendo-a ressarcido em espécie, parti. E juro por todos os céus que, enquanto estiver na Lombardia, podem me condenar ao Inferno se pensar em voltar a ficar excitado; e se você agradecer a Deus por eu ter encontrado tanta diversão eu agradeço a Ele por perder o medo de não ter mais tanto desprazer.

...

 

Em Verona, 8 de dezembro de 1509."

 

Fonte: Ttrecho retirado do livro "Maquiavel - Um Homem Incompreendido", de Michael White (o qual recomendo, pois é muito esclarecedor, inclusive de partes obscuras de "O Príncipe".

 

 

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