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Que cuidados você tem com os livros?

 

Que cuidados você tem com os livros?

Livros Marcadoresemonstros

Caro Domingos,

Nessa classificação com duas possibilidades (“Pessoas que usam marcadores” e “Monstros”), quero sua absolvição pois já fui os dois!

Ou sou os dois, sei lá! Mas, explico-me:

Ainda muito pobre adentrei na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas, e aí, realmente, começa, minha relação mais próxima (apaixonada) com os livros, a despeito, claro, de já ter lido alguns anteriormente.

Lembro que comprei, com muito sacrifício e escolhendo prioridades, os livros de Sílvio Rodrigues (Saraiva, capa azul) e Magalhães Noronha (Saraiva, capa laranja), os quais ainda estão em minha biblioteca em Manaus. Isso era o ano de 1983!

As lombadas desses livros desbotaram (o calor e a luz de Manaus, mais que em outros locais, não perdoam ninguém!). Mas quem os folhear, verá que, já quase amareladas, as páginas ainda estão perfeitas, lisinhas e sem marcas como os rostos da juventude!

Eu os abria e os lia com extremo cuidado, não permitindo sequer que as páginas opostas ficassem retas, mas formando um "V", tudo para não estragar as costuras e/ou colas!

Depois de um tempo pensei, e especialmente depois que iniciei a comprar livros em sebo (Manaus é muito pobre em sebos, infelizmente!) a fazer destaques nos livros com pincel "atômico" (marca textos)! Ao ver que nos livros usados as pessoas escreviam, passei a também fazer glosas!

Mas isso tudo tinha dois objetivos: o primeiro deles era me facilitar uma futura leitura, onde eu leria somente aquilo que entendo como o "coração da obra" e também para localizar o que mais me interessa, por certo. O outro objetivo era "ajudar" os Editores (você, Juarez de Oliveira e tantos outros homens fundamentais que passaram, passam e passarão, mas sempre ficando, na minha vida).

Como eu acredito está ajudando os editores?

Simples, ao danificar um livro, outro terá que ser editado! O comércio irá girar!

Via o papel e a tinta e os demais apetrechos que compõe o livro como abundantes, daí não ter pudor em "estragá-los", embora esse "estrago", para mim, não seja um estrago, ao contrário, pois, além da finalidade que eu disse acima, gostaria que os meus filhos lessem as obras que eu li e vissem nelas aquilo que mais me chamou a atenção!

É com essa atenção que gosto de comprar os livros "anotados" nos sebos, pois estabeleço uma espécie de diálogo com o leitor anterior da obra. Concordamos, discordamos e até discutimos!

Mais ainda, hoje, para mim, somente os bons livros (e livros são sempre bons, uns mais, outros menos) merecem ser anotados e marcados. Livros sem muitas notas e marcações de seus leitores, para mim, não são tão bons!

Não se deve marcar, escrever, por certo, nos livros de outras pessoas (nos meus eu peço que as pessoas façam isso, só recomendo cuidado para que eu possa ler depois) e em obras raras, aquelas que são obras dos copistas, por exemplo, e antes de Gutemberg!

Espero, pela finalidade e objetivo das minhas ações, ser perdoado pelos deuses dos livros.

 

Até mais,

 

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