Contos Escritos Meus

tercio

A linguagem humana.

 

Linguagem humana

A linguagem humana.

 

A linguagem funciona por ser convencional.

 

Os homens convencionaram/acordaram entre si como chamariam/denominariam as coisas. Que nome dariam às coisas.

 

Como se trata de um acordo, todos, ou a maioria aceitou o nome dado pelo “batismo” dos objetos físicos e “mentais”.

 

Copo é copo porque é copo!

 

A razão, o motivo dele ser copo é o fato de os homens terem dito e aceito que o chamariam de copo.

 

O copo poderia chamar-se bastão e o bastão chamar-se copo! Para isso bastaria que o acordo assim houvesse determinado.

 

Na Amazônia brasileira sempre tivemos o boto-vermelho! Um dia aparece por lá o francês “Jacques Custou Caro” e chama o boto-vermelho de “boto-cor-de-rosa”!

 

Como o francês dispunha de amplo poder na mídia (imprensa), esta passou a divulgar o boto-vermelho como “boto-cor-de-rosa”, as pessoas que não conheciam o boto passaram a chamá-lo somente de “boto-cor-de-rosa”!

 

Mesmo muitos dos nativos, nós, os caboclos da Amazônia, passaram a chamar o nosso milenar boto-vermelho de “boto-cor-de-rosa”!

 

Algumas coisas ressaltam daí:

 

a) que o nome das coisas é dado por acordo entre os machos;

 

b) que a mídia tem um poder imenso, inclusive de mudar toda uma tradição mais que centenária;

 

c) que o mundo da cultura é dominado por quem a impuser, especialmente de forma sutil, sem a violência explícita, mas pelo convencimento vindo das palavras e da beleza com que elas são ditas.

 

Assim, só é possível um fraco entendimento entre os humanos se houver boa vontade em primeiro lugar, depois por conta das metáforas, sinônimos e exemplos.

 

Vejam que acima eu usei: “convencionaram/acordaram” e “chamariam/denominariam”, tudo para tentar me fazer entender.

 

Não sei se consegui!

 

Mas sei que não consegui! É que tudo que eu disse pode ser contestado, de boa ou má-fé, sendo que esta, a má-fé, pode vencer a disputa cultural.

 

Pense nisso, mas, antes, no seguinte:

 

No Nordeste brasileiro tem um ditado popular, usado para quando se quer aprovar algo, que diz:

 

“É justo que nem boca de bode”!

 

Você já viu uma boca de bode?

 

Sabe a razão do ditado?

 

Essa sabedoria popular vem da comparação, algo que, como eu disse, permite o diálogo.

 

O sábio, ao olhar as bocas dos bodes, percebeu que os lábios superiores são iguais, têm o mesmo tamanho, dos lábios inferiores, ou, o contrário, os lábios inferiores são iguais, têm o mesmo tamanho dos lábios superiores. Ou seja, não são maiores nem menores, são iguais, logo, são justos!

 

Assim, quem conhece os bodes ou foi aculturado em um ambiente em que se usa o ditado mencionado, ao ouvi-lo, já faz ideia do que se trata, daquilo que quem o usa quer dizer.

 

E, assim, falamos, e, assim, fazemos poesias e encantamos!

 

Mas, tudo isso, desde que A ouvinte (receptorA) tenha boa vontade (disposição) para nos ouvir.

 

Se não tiver disposição, pregaremos no deserto. Seremos indiferentes.

 

Se tiver disposição, achará qualquer tolice dita pelo emissor um belo poema de Lúcia Santos ou Augusto Assis Cruz Neto!

 

E assim vamos vivendo e, de vez em quando, fazendo filhos!

 

Inté,

 

Osório Barbosa.

 

Fonte da imagem: https://sites.google.com/site/linguaelinguistica/home.

 

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